Rafael Grampá é o quadrinista gaúcho quefaz HQs com acento cinematográfico, arte que vem dando bons frutos no Brasil e no mundo. A conseqüência desse trabalho é que ele vai estrear no cinema como desenhista de produção de O Dobro de Cinco, adaptação de uma HQ de Lourenço Mutarelli. Além disso, o próprio Mesmo Delivery, também deve pintar em breve nas telonas - a história teve seus direitos vendidos ao produtor Rodrigo Teixeira, de O Cheiro do Ralo. Claramente inspirado em seriados dos anos 70 e seguindo a mesma escola do cineasta Sam Peckinpah, o álbum tem todos os ingredientes para resultar num instigante longa-metragem. A trajetória de um caminhoneiro transportando uma carga misteriosa que não pode ser aberta é narrada com vigor, suspense e ação na medida ideal.
Rafael Grampá é novo, mas persegue a consolidação desde os 12, quando começou estampando camisetas. Aos 14 estava ilustrando livros de auto-ajuda e logotipos para lojas. Trabalhou em produtora de cinema fazendo animação, foi diretor de arte do canal RBS e ganhou indicação da MTV ao VMB pela direção do clipe "As Cores Bonitas", do Bidê ou Balde. A conseqüência disso foi um convite para vir a São Paulo trabalhar no Studio Lobo como designer de animação.
Atualmente, Grampá está focado somente na arte seqüencial. Para ele, o mercado é promissor e, ao lado dos gêmeos Bá & Moon, o gaúcho encabeça uma lista de novos criadores brasileiros, talentosos, que aos poucos começam a despontar. Outros que fazem parte da lista são Rafael Coutinho, filho do Laerte, o paraibano Shiko e o brasiliense Gabriel Góes.

Rafael Grampá é o sinistro gerente da Mesmo Delivery. Nas horas vagas, é um quadrinista cujo talento narrativo prescinde das palavras. Seu modo de conduzir o leitor não economiza meios visuais. Para ele não há ângulos impossíveis ou improváveis, e a câmera de sua mente gira para todos os lados de forma atordoante. A arte maníaca e precisa de Rafael Grampá chegou para fazer História. Não só em quadrinhos, mas com agá maiúsculo. É só esperar."
Ele foi considerado um dos artistas mais influentes de 2009, segundo a revista época.

Mesmo Delivery
Texto de Joca Reiners Terron na contracapa de Mesmo Delivery:
"Não importa o destinatário a Mesmo Delivery faz a entrega. Sangrecco, o entregador, conhece o endereço do Inferno de trás para adiante. Sabe o do Paraíso também, mas não é prudente contar com isto. Qual seja o endereço, a melhor coisa é não saber qual é a carga. Caso contrário, será a última coisa que você ficará sabendo. E a morte na estrada chega em alta velocidade. "
O cara abre a porta da caçamba de um caminhão cargueiro, estacionado em frente a um bar/lanchonete de beira de estrada. O clima é tenso. Do fundo da caçamba alguma coisa salta e de repente a cabeça do sujeito, decepada, quica no chão até chegar aos pés de outras três pessoas. Que diabo é isso?, exclama um vagabundo, o outro só olha petrificado, e a prostituta mija nas calças.
Numa verdadeira demonstração de habilidade e sanguinolência, "a coisa" se revela um homem com olhar aterrador. Ele cruza o espaço, dando cambalhotas e executando movimentos ágeis, enquanto esfaqueia e dilacera magistralmente pedaços de suas vítimas. Parece a cena de um dos filmes de Quentin Tarantino, mas a seqüência faz parte de Mesmo Delivery, primeiro álbum solo de Rafael Grampá, que foi publicado lá fora em inglês de forma independente e chega ao Brasil no início de setembro, pela editora Desiderata. E o melhor, sai aqui logo depois de ter faturado a importante premiação do Eisner Awards na Comic Con 2008 (Melhor Antologia, ao lado de Gabriel Bá & Fábio Moon, Becky Cloonan e Vasilis Lolos, pela obra 5).
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Artes de Rafael Grampá.




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